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Entrevista ao presidente da Junta

A interioridade e a desertificação são problemas cada vez mais habituais no Portugal profundo e mesmo em concelhos bem localizados e com boas vias de comunicação, como é o caso de Macedo de Cavaleiros. Um exemplo desta situação foi bem visível em Nozelos, na freguesia de Arcas, durante o século passado.

Na altura da reorganização administrativa de 1853, quando a extinção do concelho de Torre de D. Chama ditou a transição da freguesia para o município de Macedo de Cavaleiros, a aldeia de Nozelos tinha 700 habitantes. Um número bem distante dos cerca de duas dúzias de residentes já neste século XXI. Em Arcas e Mogrão também houve um descréscimo populacional, embora não tão acentuado. Em entrevista para a revista Jfreguesia, o presidente da Junta de Freguesia de Arcas aborda estes problemas e deixa algumas críticas ao Poder Central por não combater esta situação.

O que originou esta desertificação?

O que causou as outras todas, a interioridade e a falta de emprego. Cerca de 80% dos actuais habitantes ainda vivem da agricultura. Por outro lado, a freguesia também não escapou aos movimentos migratórios do tempo da II Guerra Mundial.

Como é que uma Junta pode combater a interioridade e a desertificação?

O principal problema é que as competências atribuídas são as que originam despesa e não receita. Por exemplo, compete à freguesia manter os arruamentos limpos e em boas condições, mas não há uma receita que possibilite a contratação de um funcionário para proceder a essa manutenção.

Além disso, deu-se o caso de solicitarmos dois funcionários ao Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP), precisamente para essa manutenção da malha viária, mas estivemos meses à espera que os senhores de Lisboa aprovassem ou não. Quando o IEFP aprovou já tínhamos realizada e paga essa manutenção.

Há distância entre o Poder Central, que tem os meios financeiros, e as freguesias, que são quem tem de realizar as obras locais?

Há, claro que há. Não se pode investir sem meios financeiros e as freguesias não têm poder para isso. Quando uma Junta solicita um empréstimo junto da Banca só pode receber até 10% do Fundo de Financiamento das Freguesias. É habitual os membros do Executivo terem de adiantar do próprio dinheiro enquanto os empréstimos e as transferências das entidades superiores não são aprovados. Isto quando 60% a 70% dos funcionários públicos não justificam o dinheiro que ganham. Estamos a falar dos que detêm cargos superiores, são os que justificam menos, não é o cantoneiro ou o jardineiro.

Qual é o trabalho da Junta de Arcas para manter a freguesia com dinamismo?

Já somos poucos e tornámo-nos como uma família. Já nos conhecemos, temos os nossos costumes e tradições.